Blink Studio – arquitetura urbana em sintonia com São Paulo

O arquiteto André Weigand, foi o responsável pelo projeto arquitetônico do Blink Studio, elaborado em conjunto com a equipe do a:m Studio. Abaixo, ele nos conta um pouco como se deu a concepção do espaço e sobre o seu trabalho.

Quais foram as suas referências para desenvolver o projeto do Blink Studio?

Fomos chamados para elaborar o projeto do Blink com um escopo inicial baseado em referências do bairro do SoHo em Nova York. Ao longo da obra, que teve sua fase mais complexa nas fundações e subsolo por estar em um terreno encharcado, ficou definido executar o projeto em duas etapas. Uma é a que está concluída, outra será feita depois com a construção do Estúdio Daylight com iluminação natural, também equipado com todo conforto de camarins e sala de estar.

Que elementos e materiais predominantes escolheu? Por que optou por eles?

O Blink Studio é um projeto urbano. Tanto no seu uso como em concepção arquitetônica. Por essa questão fizemos a fachada em cimento queimado e trabalhamos com cores marcantes inspiradas na marca do Blink em alguns elementos complementares aos edifícios. Os muros permeiam a construção monocromática com cores vibrantes, como o roxo e o laranja.

Qual o seu item preferido no projeto?

O pórtico de entrada, em um lilás suave que se destaca por ser um elemento solto dos demais, serve como elemento de transição para as pessoas que utilizarão os Estúdios, marcando a saída do espaço público para o privado.  É importante isso, as pessoas precisam sentir a segurança e conforto para realizar o trabalho que dura horas, por isso digo ser um espaço privado, mesmo que por poucos dias ou horas, apesar de ser para uso de público variado.
Destaco outros itens do projeto como a grande caixilharia do bloco administrativo, que diferente do bloco dos estúdios que precisa ser fechado, abrigado e sigiloso, deve ser aberto, estar inserido na cidade, com boa vista e iluminação natural farta, que é tanto agradável e confortável ao bem-estar quanto ecológica, pois diminui a necessidade de iluminação artificial. Outro item que destaco são os camarins, super equipados e com vista espetacular para o set de filmagens e fotografia. Uma verdadeira área VIP.

E na decoração, quais foram os aspectos mais importantes?

Dá-nos muita satisfação poder fazer um projeto completo. Conseguimos trabalhar com as sensações das pessoas de forma mais completa. No Blink a arquitetura de interiores tem um aspecto informal e o piso vinílico com estampa de madeira proporciona praticidade de manutenção e traz a sensação de acolhimento, ausente no exterior do edifício que trabalha com tonalidades de cinza e cores vibrantes. O importante em tudo isso é a harmonia em cada ambiente e entre os ambientes. No caso do Blink quanto mais íntimo o ambiente, escolhemos materiais mais quentes e acolhedores.

Quando você recebe uma proposta de projeto, por onde você começa? Como surgem as ideias?

Fazemos o projeto para atender uma necessidade do cliente e da cidade. No Brasil é incrível como projetam ignorando a cidade. A relação do edifício com a cidade acontece em primeira instância em sua relação com o entorno. Não acredito que todos os projetos devam ser ícones arquitetônicos que entrem em competição por atenção. Pelo contrário, acho que poucos deveriam chamar atenção, apenas para pontuar espaços públicos, transições urbanas ou que sejam relevantes para todos os habitantes e visitantes. No mais acredito na cidade como conjunto, o que ainda precisamos melhorar muito em São Paulo, mas foi muito bem pensado para o Blink Studio na sua relação com os vizinhos residenciais e com o viaduto.
O processo de criação para um projeto sempre sai da necessidade. Mas é muito importante a sintonia entre nós arquitetos e o cliente. Arquiteto precisa de sensibilidade. O Oscar Niemeyer dizia isso, primeiro vem do sentir, depois você articula as ideias e explica o conceito. Se não conseguir é porque algo está errado, então começa de novo.

Qual a consideração mais relevante você costuma sugerir aos seus clientes?

Para que os desejos do cliente sejam atendidos sempre dizemos para sonhar enquanto estamos trabalhando ‘no papel’ e a obra ainda não começou. Depois é seguir firmemente o projeto porque o trabalho em uma obra é árduo, bruto e caro. Não seguir o projeto significa aumentar os custos e prejudicar muito a qualidade final.
Sonhos à parte, somos profissionais, e o projeto tem sua sequência lógica e prática. O importante na arquitetura é conseguir o equilíbrio dos sonhos e da prática do que é executado, sem que um prejudique o outro. Muita pressa atrapalha, pois se diminui muito o sonho, e muita calma também, pois se perde no sonho, não se decide e não se executa.

Quais são seus outros projetos que você gostaria de destacar?

Sobre nossa atuação posso dizer que atuamos em diferentes escalas, desde pequenas peças urbanas ou desenvolvimento de mobiliário para nossos projetos até projetos urbanos de praças, hotéis-escola, escolas, passando por interiores de apartamentos, escritórios corporativos, restaurantes e projetos especiais como o Blink Studio e lojas de vinho. Um exemplo de projeto de pequena escala é uma mesa que projetamos para a cozinha gourmet do Studio.

Envolvemo-nos muito com os projetos que estamos fazendo no momento, todos são como filhos, são criações nossas, somos responsáveis por isso e sua interferência na vida das pessoas. Por isso gostamos mais do atual, o projeto do momento. Mas alguns ganham destaque, mesmo que não construídos. Destaco uma série de projetos para a Fraternidade São João que busca uma nova forma de sociedade e convívio, mais sutil, natural e de respeito. Lá terão iniciativas de habitação, escola, clínicas de saúde, agricultura com orgânicos, investimento na exploração sustentável do bambu e mais coisas que não param de surgir. É um projeto com muita vida! Outro destaque é para um Hotel-Escola do Senac que será executado em Águas de São Pedro, o menor município do Estado de São Paulo, que tinha uma enorme construção abandonada que foi adquirida e será reformada. Foi um desafio de resolução dos espaços com um programa de ocupação complexo e cheio de instalações de infraestrutura de grande porte. O resultado foi de uma arquitetura incomum para os padrões brasileiros, mas completamente inspirada nos materiais mais utilizados em nossa construção tradicional como a madeira e a cerâmica. Para este projeto desenvolvemos toda arquitetura de interiores também. Assim como no Blink Studio.
Em nossa arquitetura buscamos sempre incentivar as relações humanas através do uso do espaço que projetamos e ficamos muito felizes quando conseguimos inspirar as pessoas através do nosso trabalho e do resultado dos nossos projetos.


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